sábado, 30 de abril de 2011

A Princesa pode amar...

Ontem o mundo inteiro estava com olhos voltados para Londres, para o casamento de Kate e William.  O conto de fadas, de fazer suspirar as moças mais sonhadoras e questionar a nós, que não reconhecemos plenamente o significado de uma monarquia, contudo, foi atualizado.
            Filho de Diana, aquela que se eternizou como princesa com a própria morte, seguindo um triste e trágico destino da mulher infeliz, William apresenta ao mundo sua Kate, completamente diferente e capaz de fazer dialogar o velho mundo da monarquia cristalizada por seus protocolos e sua vida formal, com um frescor de vida verdadeira. Diana, que renunciou a si mesma para cumprir um pesado papel social, que viveu ao limite sua solidão e infelicidade, suportou o insuportável: sentir-se desprezada pela monarquia e pelo marido, traída, solitária...adoeceu, viveu a bulimia, separou-se, narrou seu drama diante de câmeras de TV para o mundo todo (para a perplexidade e horror da família real), e depois selou seu destino no que parecia ser uma tentativa de construir uma nova vida, em circunstâncias nunca realmente esclarecidas, e de forma trágica. Ela protagonizava a princesa infeliz, que nunca conseguiu se encaixar na vida “de verdade”, enclausurada no mito, no conto de fadas desfeito, tornada isca do apetite insaciável da imprensa com a qual parecia viver uma relação de amor e ódio, imprensa que alimentava e perpetuava o mito no espetáculo do seu funeral. Olhando para a vida de Diana poderíamos acreditar que não amar, não ser feliz seria realmente o preço a se pagar por um papel como este.
            Mas a vida continua, e seu filho William faz uma escolha diferente. Namora, na faculdade, uma plebéia, aparentemente apaixona-se por ela, e experimenta este amor...por 8 anos experimentam a vida e a relação de casal, chegam a morar juntos, experimentando a vida verdadeira. E só depois vem o casamento.
Os ritos – numa sociedade como a nossa na qual já não se  ritualiza quase nada – além de belos, impecáveis, impactam, hipnotizam o mundo. Todos querem ver! Todos querem admirar uma nova princesa... O mundo precisa das princesas!
E lá está ela, uma princesa diferente...uma mulher não tão nova, que não parecia assustada com a escolha que fazia, formada em História da Arte, que retira do juramento do ritual de casamento a palavra “obediência”, que é linda – perfeita para trazer o frescor e a renovação à realeza, perfeita para ser o centro dos holofotes do mundo inteiro, cumprindo à risca todos os protocolos, porém, parece que aceita o papel com alegria e surpreendentemente parece amar e se sentir amada... Afinal, as experiências humanas do amor e da vida verdadeira estão disponíveis a todas as mulheres que se tornam protagonistas em suas histórias, ele pode pulsar em qualquer canto, até mesmo ali – num palácio sóbrio e opulente, onde os valores não se pautam pela expressão do afeto, nem pela busca da felicidade dos indivíduos. Até no meio da realeza, vivendo um espetáculo de tradição e poder, a vida pode abrir uma brecha, e a princesa pode amar...
Cuidar deste amor, viver a desafiadora vida conjugal, construir e re-construir a relação ao longo da vida comum, claro, será o verdadeiro desafio, que só se coloca depois que apagam os holofotes e a vida segue seu curso, e este desafio se apresenta a plebéias e princesas...



                           

Um comentário:

  1. Fiz de suas palavras, as minhas, Anna! Compartilahdo no meu face. Foi exatamente tudo que ví e mais: eu estava precisando de uma princesa na minha vida tb!!!! rsrsrs. Bjo

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